Estava eu lá no banheiro, me olhando no espelho e admirando a minha nova figura menos redonda (quem nunca?) quando a minha bunda, cansada de guerra, me olhou na cara e, cabisbaixa, sussurou: “é… eu caí”.
Batata, isso. A pessoa perde peso e o peito cai, logo seguido pela bunda. A pessoa engorda e é como se ganhasse implantes de silicone grátis, sem mencionar a derrière que faria inveja a qualquer aspirante a mulher fruta.
THIS. IS. NOT. FAIR.
Ok, eu admito. Não gosto de bunda grande. Mas CAÍDA já é sacanagem, Doutor Atkins. Logo terei que incluir uma dessas na próxima listinha de compras.

O clima aqui já é de inverno. Hoje pela manhã uma amiga me ligou dizendo que foi levar a filha para a escola sob uma chuva de GRANIZO. Estamos em SETEMBRO, senhores. E eu estou usando cachecol DENTRO. DE. CASA.
Propus ao marido uma mini viagem para fugir do tempo ruim britânico e ele me sugere um campo de concentração na Polônia. Não, eu não estou brincando. Isso foi sério. Eu nem soube o que responder, além de “Mas pra quê? A entrada desse condomínio aqui já é igualzinho ao portão de Auschwitz; só falta a plaquinha de metal escrito arbeit macht frei em cima”. Em se levando em consideração que essa placa foi recentemente roubada, então não falta mais nada, tá completo.

Na semana passada o esmalte rosa (Flamingo Pink, Barry M) já estava quase saindo (nota-se) quando fui praticamente agarrada pelo cabelo dentro da Selfridges por uma “demonstradora” querendo me vender esmalte adesivo. É essa coisa meio “estampa da Burbery” no meu dedo anelar aí embaixo:

Estou ficando traumatizada com shopping centers e lojas de departamento nesse país. Estou ficando com medo de demonstradoras. A agressividade das moças só é comparável ao seu grau de chatice e insistência. E, em algumas vezes, falta de tato. A moça do esmalte adesivo, depois de tirar o esmalte do meu dedo para aplicar o dela sem nem me pedir permissão direito, foi logo observando: SUAS UNHAS ESTÃO MALTRATADAS. Aprendam como NÃO cativar um cliente e efetuar uma venda, queridos.
O problema dessas demonstradoras é óbvio. Se o produto fosse bom, não precisaria de demonstradora. Ficaria lá na prateleira, sendo ocasionalmente jogado dentro da cesta pelos consumidores. Muitas vezes o produto em si nem é tão ruim, mas o PREÇO beira o ridículo. A moça queria me cobrar quarenta dinheiros da lilibeth por um kit com 20 adesivos. SAI MAIS BARATO QUE PAGAR DUAS MANICURES, berrou ela, e o comentário até seria válido se não fosse por um porém: eu faço a minha própria unha e não pago manicure, dearie. Quando ela percebeu que eu estava começando a me afastar, fingiu que ia me contar um segredo e sussurrou no meu ouvido (sim, ela de fato SUSSURROU): “olha, eu posso tirar a minha comissão de cima do valor e fazer dois por 45, que tal?”
Será que existe ALGUÉM que acredita nesses teatrinhos? Será que a comissão que essas empresas pagam é tão ruim que eles sequer conseguem contratar uma boa atriz para desempenhar o papel? Porque putz, nega. Até parece que você ia cagar e andar para me vender alguma coisa CASO fosse realmente perder a sua comissão. É claro que esse bagulho custou 1,99 cada no Ebay ou ali em Chinatown - ou em Taiwan, de onde foi importado. E, se o seu patrão descobriu a fonte, EU TAMBÉM POSSO.
Disse ela que o adesivo dura duas semanas. Já fiz a unha de novo, troquei de esmalte, mas deixei o adesivo lá para ver se a promessa é verdadeira. Já que perdi vinte minutos do meu dia tentando me desvencilhar da demonstradora carrapato, acho que pelo menos mereço um test drive, right? :)


