Aniversário do meu marido e o aspirador de pó acabou de quebrar na minha mão.
O esfregão também se desintegrou - percebi ainda agorinha, quando puxei o dito cujo do armário e ele veio pela metade. O presente de aniversário dele vai ser passar no supermercado antes de chegar em casa e me comprar um novo.
Perguntei a ele o que queria ganhar e ele veio com aquele papinho sebento de “você é o meu melhor presente” etc e eu pensei “ok, filho, eu estava preparada pra gastar uma grana; mas, já que você quer fazer o modesto, vai levar uma assinatura de revista e olhe lá”. Um ano de Octane Magazine, leve grátis um kit de ferramentas e ele bateu palminhas. Não é lindo ter marido macho? Se ele me pedisse um kit de male grooming da Hermès ou um jeans Armani ia sair bem mais caro.
Ele só recebeu dois cartões de aniversário (o da mãe, que também virá, ainda não chegou). Me senti meio filhodaputa por não ter comprado um, já que eu sempre ganho. Enfim, ele também não liga para cartões e eu sou brasileira - no meu país cartão é aquela coisa que se manda no Natal e que se joga fora depois do Ano Novo. Mas aqueles dois cartõezinhos (+ a promessa de um terceiro) ali em cima da lareira da sala me fazem sentir mais próxima dele, já que eu também nunca ganhei enxurradas de cartões em ocasião alguma. Forever Alone Together.
Recebi duas ligações de finlandeses, hoje. Nenhuma delas para mim, ambas para o birthday boy. Primeiro do primo Anti, um caminhoneiro engraçadíssimo que mora numa vila chamada Keitele com uma pá de filhos. Ele estava um pouco titubeante ao telefone e se saiu com essa: “desculpe, mas é que eu estou meio bêbado, sabe como é, domingo… Isso acontece na família Mehtonen”. E eu, pensando que hoje é QUARTA FEIRA, concordei porque afinal de contas convivi com a minha sogra e sei que sim, acontece bastante. A segunda ligação foi da própria, que anunciou estar sentada em sua varanda com vista para o lago naquela tarde linda de fim de verão, 21 graus, segura Berenice. Provavelmente com um copo ou cinco de vinho na mão, pensei eu, e então me ocorreu que EU não bebo há mais de um mês.
Como diria David Bowie, ch-ch-ch-ch-changes.
p.s.: Ele chegou e trouxe o esfregão. Com refil! E, em volta do refil, um plástico adesivo com a inscrição “added value”. De valor agregado eu entendo:



